Nós piscamos e o ano está chegando na metade, será junho em poucos dias e junto do meio do ano daremos boas vindas às suas comemorações, dia dos namorados, festa junina e seu tradicional correio elegante.
O mais engraçado, é que quando lembro de todo o romance em torno das comemorações do sexto mês do ano, quem se destaca nunca é uma paixão romântica em especial, mas sempre ela, minha irmã. Foi em uma festa junina da escola que dei meu primeiro beijo, mas quem precisava saber, cada detalhe, e autorizar aquela aventura proibida era minha confidente fiel, a Luiza.

Assistindo Little Women essa semana, um filme tão romântico que é impossível não se emocionar, mais uma vez me encontrei nesse sentimento de amor profundo que é compartilhar a vida com uma irmã. Afinal, o que é o romance?
Academicamente, quando pensamos no romance enquanto uma expressão, com toda a sua abrangência, seja na literatura ou nas artes plásticas, o romance é uma via que guia pelo sentimentalismo, sentimentos tão intensos que transpassam a experiência individual - passam a ser o que guia a natureza, o que guia todo o contexto. A raiva, o amor, a cordialidade e alegria, seja o sentimento que for, são o grande contexto no qual todo o resto se revela.
E assim segue o tal filme sobre a relação de irmãs. Me surpreende que nossa cabeça, ou pelo menos minha cabeça, tão treinada a enxergar romance no amor de um casal, busca focar ao longo da trama na relação da protagonista com seus possíveis companheiros, quando na verdade o romance que guia toda a trama, como nos indica a natureza, e o amor dela com as irmãs.

Se uma irmã adoece, a natureza fica mórbida, se uma irmã está distante, o céu está nublado, o sentimento que guia todo o contexto que dita o tom da trama é a emoção que ela experiência na sua relação com suas irmãs.
Vivi grandes histórias de amor contando para minha irmã cada detalhe dos meus maiores segredos, reproduzi essa relação de amor que aprendi tendo uma irmã com as amigas que a vida me trouxe, as risadas e a emoção de compartilhar entre nós cada dúvida, cada novidade e cada alegria. Talvez esta tenha sido a parte mais intensa das paixões adolescentes.

Às vezes sabemos que estamos aprendendo, mas exatamente por estarmos aprendendo, muita coisa escapa do nosso campo de visão, e talvez na minha adolescência isso tenha sido uma das grandes coisas que me escapou. Nunca foi sobre quem me enviou ou para quem eu enviei um correio elegante, mas sim sobre quem eu sai correndo para contar que havia recebido uma carta.
A cumplicidade entre essas relações foi o correio elegante, a carta e paixão mais constantes em minha vida, o tal contexto romântico que pautou todo o resto.